A comunidade LGBTQ+ é mais vulnerável na pandemia?

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LGBT (Foto: Divulgação)

Isolamento Social Muito Antes da Pandemia

Ao contrário do ditado popular “lar doce lar”, o lar muitas vezes não é muito “doce” para pessoas LGBTQ+. O Brasil é um dos países mais perigosos para a comunidade, fazendo parte dos líderes de países que mais mata pessoas LGBTQ+ no mundo. Podemos ter uma noção dessa discriminação com base no relatório de GGB (Grupo Gay da Bahia), onde divulga que de janeiro de 2019 até 15 de maio do mesmo ano, foram mortos 141 pessoas LGBTQ+, 126 sendo homicídios e 15 suicídio, configurando uma morte a cada 23 horas, o que nos anos 80 era uma morte a cada uma semana, e nos anos 90 era uma morte a cada três/dois dias.

Não só com a comunidade, como também com as mulheres as estatísticas de feminicídios são gritantes; apenas em 2019 teve um aumento de 35,1% de casos de feminicídios no Brasil em consideração aos anos passados, divulgado no G1. A luta LGBTQ+ muito tem a se identificar com a luta das mulheres pelos seus direitos, afinal tudo que se distancia da figura padrão de “homem dominador” está sob seu alvo de ataque. Apesar de neste texto focar na comunidade LGBTQ+, as mulheres também sofrem com agressões semelhantes no isolamento social, afinal o tratamento que essas pessoas recebem são resultados da mesma construção social baseada no machismo.

Levando em consideração as informações relatadas, não é de se impressionar que muitas pessoas LGBTQ+ no Brasil sofram preconceito principalmente de seus familiares. Muitas pessoas transvestigeneres no Brasil, por exemplo, são negligenciadas e expulsas de casa pela família, – sendo também mais vulneráveis ao Covid-19 no momento – além de ter de lidarem com a discriminação que impera em outras áreas de trabalho, sendo forçades a trabalhos mal pagos ou que ponham em risco suas vidas. Não só no Brasil, mas na América Latina, os principais alvos de homicídios dentro da comunidade LGBTQ+ são pessoas trans, segundo dados divulgado pela ONG Transgender Europe em 2016.

Na quarentena, muitas pessoas da comunidade, tanto aquelas que têm de ficar com parentes intolerantes, quanto aquelas que sequer possuem um lugar para ficar, são expostas a violência psicológica, patrimonial, moral, podendo até chegar a física e sexual. Uma pesquisa feita pelo aplicativo de relacionamento LGBT “Hornet”, mostrou que 72% dos seus 30 milhões de usuários pelo mundo estão passando por ansiedade e 24% sentindo solidão em suas casas com seus familiares.

A marginalização e negligencia a comunidade é também propagada por políticos que além de não contribuírem com políticas públicas que a ampare, também divulgam comentários homofóbicos, fomentando a homofobia por parte de seus eleitores, como um “passe-livre”, usando-os de justificativa para suas ações preconceituosas. Tal como as citações do presidente Jair Bolsonaro: “O filho começa a ficar assim, meio gayzinho, leva um couro e muda o comportamento dele. […]”, citado na TV Câmara em 2010, ou também como o Prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, que em 2019 tentou censurar uma HQ que mostrava um beijo gay; e até mesmo por agentes de saúde que negam o atendimento a essas pessoas, fazem parte de um ciclo de ações que geram mais violência e vulnerabilidade á pessoas LGBTQ+.

Conheça Seus Direitos

Em 13 de Junho de 2019 a LGBTfobia foi oficialmente constada como crime, tendo penalidade no mesmo grau que o crime de racismo. Apesar de anteriormente o disque 100 ser apenas utilizado para denúncias por abusos de menores, foi ampliado para disponibilizar atendimento a toda e qualquer pessoa em situação de vulnerabilidade, incluindo a comunidade LGBTQ+. Importante ressaltar também que mulheres trans e travestis também podem denunciar no disque 180. Ambos os disques são feitos anônima e gratuitamente, podendo ser por telefone ou online.

Um adendo para também divulgar o botão de denúncia que o aplicativo da Magazine Luiza disponibilizou para a denúncia de mulheres (cis ou trans) vítimas de violência doméstica; o botão pode ser acessado clicando na aba ”sua conta” no aplicativo Magalu, depois em “menu”, e tocar na opção “Denuncie Violência Contra Mulher”, logo sendo reencaminhada para o disque 180 anonimamente. Independente se a violência sofrida tenha sido psicológica ou física, é importante fazer a denúncia e/ou o boletim de ocorrência online, para que assim se tenha registrado aquela situação, e caso aconteça mais vezes ou até mesmo piore, terá mais provas para apurar o caso e pedir por medidas protetivas. Para facilitar a denúncia, colete provas em mensagens de texto (por WhatsApp, por exemplo), áudios, vídeos, fotos, ou qualquer evidencia que comprove o ocorrido.

Há também a disponibilidade de acessar o SUAS (Sistema Único de Assistência Social), que ampara pessoas também em situação de risco, como de abandono, abuso sexual e maus-tratos. Em São Paulo há Os Centros de Cidadania LGBTI, que são uma iniciativa da Secretaria Municipal dos Direitos Humanos e Cidadania que tem por finalidade a proteção de pessoas LGBTQI+, dando suporte psicológico, jurídico e de serviço social. Em Salvador há o Casarão da Diversidade, que também dá suporte a comunidade LGBTQ+, disponibilizando acolhimento, orientação psicossocial e jurídica, além de também disponibilizar o encaminhando para redes de serviços como o de saúde e assistência social, dentre várias outras ações e iniciativas para a proteção dessa comunidade.

Em Pernambuco está havendo a “Campanha Pernambuco Solidário”, onde estão distribuindo cestas básicas de alimentos, materiais de higiene e água para pessoas que estão em situação de vulnerabilidade, e 120 dessas unidades foram para instituições que acolhem pessoas transvestigeneres, considerando que elas são as que mais estão em risco no momento. Essa ação que é coordenada pela SDSCJ (Secretaria de Desenvolvimento Social, Criança e Juventude) e teve início logo após a confirmação da quarentena no Estado. Para contribuir com doações, clique aqui para mais informações.

Para as pessoas que possuem HIV/AIDS ou que são LGBTQ+ e que necessitam de cestas básicas, tanto de higiene quanto de alimentos, e também para a retirada e entrega de medicamentos para o tratamento de HIV/AIDS para pessoas que não conseguem acessá-los no serviço de saúde por estar em situações de risco, há o “Projeto Balaio”, criado pela ONG Barong, com foco na região de São Paulo. O primeiro lote de cestas básicas foi encerrado no momento, porém irão reabrir dentro de alguns dias. O link para a inscrição para a próxima abertura está disponível aqui. Também poderão fazer doações e apoiar o “Projeto Balaio” neste link.

Por fim, a Antra (Associação Nacional de Travestis e Transexuais) e ABGLT (Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Intersexos) fizeram em conjunto uma cartilha falando sobre “O Que Fazer Em Caso de Violência LGBTfóbica”, a qual poderão acessar clicando aqui.

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