Ao extinguir o departamento de HIV/Aids do Ministério da Saúde, em maio de 2019, o governo deixou claro que as políticas públicas de atendimento as infecções sexuamente transmissíveis (IST) não são uma prioridade.

Na quarta-feira (05/02), em conversa com a imprensa o presidente Jair Bolsonaro declarou que “uma pessoa com HIV, além do problema sério para ela, é uma despesa para todos aqui no Brasil”.

No entanto, essa não é primeira vez que Bolsonaro emite declarações polêmicas sobre o assunto. Em 2010, enquanto exercia o cargo de deputado federal, ele afirmou que “a pessoa [com HIV] vive na vida mundana depois vai querer cobrar do poder público um tratamento que é caro”. A fala do presidente sobre pessoas soropositivas evidência uma série de preconceitos além de promover a discriminação de grupos sociais.

            Nos anos 80, quando o assunto [HIV/Aids] começou a ter destaque no noticiário, a Aids era chamada de peste gay. As pessoas acreditavam que somente homossesuais, transexuais e travestis contraíam o vírus. Esse pensamento, além de preconceituoso, fazia com que pessoas heterossexuais não se protegessem contra a contaminação durante o ato sexual.

            A fala do presidente, em pleno 2020, é carregada de ignorância e ajuda a reforçar preconceitos de 30 anos atrás. Ele se esquece que as pessoas, independente de serem LGBT’s, estão expostas ao vírus.

HIV no Brasil e políticas públicas

As ações do governo, ao que se refere a saúde e a sexualidade, são opostas  aos avanços obtidos nos últimos anos. De acordo com boletim epidemiológico HIV/Aids 2019, o Ministério da Saúde informa que o número de mortes por aids (doença que o paciente com HIV pode desenvolver) caiu em 22,8% nos últimos cinco anos.

Além disso, o Brasil é referência no tratamento de soropositivos. Os medicamentos são distribuídos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e os pacientes recebem acompanhamento médico. Segundo o Ministério da Saúde o país aumentou o tempo de sobrevida das pessoas com o vírus, em função do tratamento adequado.

O Estudo de Abrangência Nacional de Sobrevida e Mortalidade de Pacientes com Aids no Brasil, apontou que 70% dos adultos e 87% das crianças diagnosticadas entre 2003 e 2007 tiveram sobrevida superior a 12 anos. Até 1996 a sobrevida era de cinco anos, em média.          

No entanto, o conservacionismo do governo Bolsonaro que defende, por exemplo, a abstinência sexual como política pública contra a gravidez na adolescência, representa um grande retrocesso. 

Educação sexual, transfobia e homofobia não deveriam ser limitados apenas ao ambiente familiar, como propõe o governo atual. O descaso com as políticas públicas sobre HIV/Aids pode colocar em risco tudo que já foi conquistado em prol da saúde e bem estar dos pacientes soropositivos em nosso país.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui