Em 1969, tivemos a reação da comunidade LGBT+ contra a repressão policial praticada rotineiramente no bar Stonewall Inn. Ocorria também, em nível mundial, a opressão identitária e sexual contra gays, lésbicas, travestis e transexuais, que não tinham liberdade para expressar seus afetos em público, eram considerades pessoas com distúrbios psiquiátricos e sexualmente desviades.

No Brasil, a primeira tentativa de mudar a história de pessoas LGBT+ ocorreu no final dos anos 70 e meados da década de 1980, com a criação do jornal Lampião da Esquina, o qual influenciou o surgimento de grupos que se consagraram como frente de luta no Movimento Homossexual Brasileiro (MHB).

A primeira denúncia do Lampião da Esquina foi no editorial n°0 do jornal com o título “Saindo do Gueto”, para abordar o fato de a população LGBT+ ter de viver em bares desconhecidos, vielas estreitas, casas com festas secretas e seu amores “proibidos” para fugirem de toda hostilidade moralmente fomentada pela sociedade da época.

Anteriormente conhecido como Núcleo de Ação pelos Direitos Humanos dos Homossexuais, o Grupo Somos se uniu ao Lampião e realizaram, em 1980, o 1° Encontro Nacional de Gays e Lésbicas no Brasil.

Por se tratar de um grupo com personalidades e pontos de vista diversos, o Lampião enfraqueceu até chegar ao fim. O Grupo Somos enfrentou dificuldades financeiras e se dividiu em três: Somos, GALF (Grupo de Ação Lésbico Feminista) e o Grupo Outra Coisa. Somado a esses episódios, veio a epidemia do HIV/AIDS, que enfraqueceu as pautas sobre liberação sexual e conduziu os movimentos LGBT+ para a conscientização da sua comunidade e da sociedade em geral sobre as causas da nova epidemia, chamada de peste gay.

Nessa época, o Movimento Homossexual (termo utilizado na década de 1980) já dividia a opinião de uma parte dos seus membros, pois alguns não se interessavam tanto pelos assuntos políticos abordados nas reuniões dos grupos por acharem que eram chatas ou que não trariam mudanças significativas.

Ainda hoje, vemos pessoas LGBT+ divididas em relação às paradas do orgulho LGBT+. Há quem diga que é muita militância e pouca festa, e vice-versa.

Será que já olharam para trás e observaram, perceberam que antes de nós, outros grupos de pessoas como nós se reuniram para militar, para criar jornais que ajudaram a retirar de nós a referência caricatural e estigmatizada?

Nessa luta, muites morreram, para que hoje pudéssemos casar, adotar, sair dos guetos e realizar festas, blocos de carnaval, músicas e tantas outras representações artístico-culturais.

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