Em um encontro despretensioso em uma tarde de São Paulo escutei pela primeira vez a música “O Emo Tá de Volta”, da talentosíssima Drag Queen Naja White. A sensação foi de voltar para a minha adolescência e relembrar os primeiros amores, os turbilhões de sentimentos, as dúvidas e as inseguranças. A primeira música autoral da artista é uma nostalgia gostosa de muitas experiências que todes podemos nos identificar. Caso você ainda não a conheça, eu tive o prazer de entrevistá-la para os leitores da ONG LGBT+, confere só esse talento!

Alessandra: Naja, conta um pouquinho de você para que os leitores se familiarizem com a sua trajetória.

Naja: Meu nome é Nylo Bimbati, tenho 28 anos e há quase 6, faço a Drag Queen Naja White.
A Naja nasceu em um momento de necessidade de expressão, onde conheci a arte drag através do reality “Rupaul’s Drag Race” e muita coisa começou a mudar.
Aprendi muito mais sobre mim mesmo fingindo ser outra pessoa, do que em qualquer outro momento da minha vida. Todo mundo deveria experimentar a arte drag e conhecer uma outra faceta sua. Se questionar, se permitir e ir se descontruindo conforme sua drag vai ganhando consistência. É incrível!

Alessandra: A música faz parte da sua vida desde quando?

Naja: Eu nasci em berço evangélico, então a música sempre teve um significado “sagrado”, vamos dizer. Me lembro de cantar pela primeira vez em público, com banda e tudo, aos 6 anos de idade para uma apresentação num domingo de Páscoa.
Desde então, o canto foi sempre o meu refúgio, o que mais fazia com facilidade e prazer. 

Alessandra: Você lançou recentemente o seu primeiro single “O Emo Tá de Volta”, que tem uma grande potência sobre questões como amor próprio, lugar no mundo e relacionamentos. O que você espera que essa canção desperte nos ouvintes?

Confira o Clipe:

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Naja: Quando escrevi “O Emo Tá de Volta”, trouxe à memória o que mais me movia na adolescência. Amores não correspondidos, insegurança e autoafirmação em nosso meio social. Eu tentava me encaixar para ser melhor aceito, mas isso não dava certo, então “deixei as coisas no lugar”, mas eu ainda sinto aquelas emoções. Isso tudo coincidiu com a volta do estilo EMO, visto que bandas como Green Day, My Chemical Romance e Fresno voltaram a produzir música para o seu público.

Então uni as minhas experiências, com essa nostalgia do EMO e deu no que deu! Espero que as pessoas se reconectem com o rock e com os seus sentimentos mais genuínos que, outrora, nos ensinaram tanto.

Alessandra: O que te inspira para criar as letras das suas canções?

Naja: Tudo pode servir de inspiração, até mesmo o nosso vazio existencial. Mas é claro que o amor é sempre um tema pertinente. Nossas relações, mesmo as mais insignificantes, podem nos fazer refletir sobre coisas e sentimentos nunca antes verbalizados. E assim nascem canções e poemas. 

Alessandra: O que podemos esperar para os próximos meses?

Naja: MAIS MÚSICAS! Estou trabalhando muito (literalmente) para conseguir entregar mais músicas ao mundo. Talvez um EP ou mais singles individuais, porque ambos me permitem trabalhar um tema, um conceito e, acredito que essa é a melhor parte: contar uma historinha e fazer as pessoas mergulharem nela comigo. Eu amo quando algum artista lança algo novo e junto vem um novo tema, conceito, uma nova faceta do mesmo artista. 

Naja revelou que tem muitos sonhos, mas o maior deles é se dedicar exclusivamente à música e continuar desenvolvendo ideias, álbuns e projetos artísticos. Amou?! Então, fecha com a cereja do bolo, bebê! O Emo Tá de Volta e não vai sair da sua playlist.

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