Turismo LGBT+ apresenta crescimento acima da média e é tema de workshop inédito em MS

0
468
Evento Turismo LGBT
Evento Turismo LGBT (Foto: Brasil Turis/Divulgação)

Dentro do segmento turismo, um dos nichos de atendimento é o LGBT+, destinados a pessoas que se consideram lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transgêneros e demais nominações. Este setor em plena ascensão cresce anualmente 11% no Brasil, enquanto o turismo de modo geral sobe 3,5% ao ano. 

Tendo em vista este cenário, na última semana o Sebrae/MS realizou em Bonito, pela primeira vez, o workshop de turismo LGBT+ no estado, com o apoio da Prefeitura Municipal e da Fundação de Turismo de Mato Grosso do Sul (Fundtur).

Quem ministrou a capacitação foi o Diretor do Fórum de Turismo LGBT do Brasil e Diretor Comercial da Revista ViaG, Alex Bernardes. Para ele, as empresas devem estar preparadas para atender aos clientes, levando em consideração questões sociais. 

“A experiência do turista é fator decisivo para o cliente LGBT, que lida com discriminação e homofobia. Os casos vão desde uma simples piadinha, a recusas de reserva, da opção de cama de casal, e as vezes chegam ao extremo, com casos de agressões verbais e físicas. Tudo isso acontece por despreparo, ignorância e falta de empatia”, aponta o palestrante.

De acordo com relatório produzido pelo Sebrae, sobre pesquisa da Associação Brasileira de Turismo, em parceria com a revista ViaG, este público, de forma geral, é considerado mais exigente quando busca por produtos e serviços. Apesar disto, frequentemente é mais generoso que outros viajantes, gastando 30% mais.

O estudo aponta ainda que os turistas LGBT+ realizam aproximadamente quatro viagens ao ano e 45% destes vão ao exterior anualmente, sendo responsáveis por 10% da movimentação do setor de turismo mundial. “Um número bem considerável quando se imagina uma atividade bilionária como o turismo”, afirma Alexandre.

Evento Turismo LGBT
Evento Turismo LGBT (Foto: Sebrae/Divulgação)

Dicas de como empreender

O turista LGBT+ não procura só por experiências direcionadas. Ele também busca por viagens românticas, de aventura, sol e mar, cultural, familiar, com amigos, viagens esportivas ou corporativas, estando inserido dentro de todos esses contextos.

As empresas que desejam beneficiarem-se com este mercado precisam implementar uma série de boas práticas. O Sebrae lista, no relatório divulgado em 2018, algumas dicas para atrair e atender o público como: Fazer parcerias entre empresas de segmentos diversos que tenham interesse; Ter atendimento de qualidade, com colaboradores envolvidos e capacitados e; Gerar identificação, criando campanhas e estratégias específicas. 

Uma das participantes do workshop de Bonito, Adriana Merjann, que é diretora da agência Bonito Way Turismo e Eventos, leva aos seus funcionários capacitações sobre o assunto. “É importante atualizar nossa equipe de tempos em tempos, porque entram funcionários novos. É preciso estarem alinhados com os valores da empresa”.

Brasil e o turismo LGBT+

Recentemente, o guia online de turismo GayCities considerou o Brasil um dos países para ser evitado pelo público LGBT+. Episódios de ódio, assassinato de lideranças da comunidade e discursos do próprio presidente Jair Bolsonaro, foram critérios para colocar o país no topo do ranking.

Alex Bernardes, no entanto, contrapõe esta classificação. “Somos sim um país perigoso para turista LGBT+, mas acho injusto nos colocar como primeiro da lista. Hoje temos leis que nos protegem da LGBTfobia, temos canal direto de denúncia (pela Polícia Militar – 190, e pelo Departamento de Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos – Disque 100). Temos também inciativas no setor de capacitar o trade para receber bem o turista LGBT e outros pontos positivos”, afirma.

Evento Turismo LGBT
Evento Turismo LGBT (Foto: Sebrae/Divulgação)

Empresas Gay-Friendly

Aos que desejam viajar, pesquisar histórico de atendimento e avaliações das empresas é fundamental. Muito mais do que por uma bandeira na porta do estabelecimento, os colaboradores precisam estarem engajados e dispostos a atender com qualidade seus clientes, sejam eles de qualquer nominação. 

O Google, por meio do seu aplicativo Google Maps, ajuda identificando quais locais são “gay-friendly”, ou seja, empresas consideradas seguras para a comunidade de acordo com cadastro feito pela própria organização. 

É importante ressaltar que, para ser uma empresa gay-friendly, o posicionamento é indispensável. Apoiar/promover eventos para a comunidade também é uma forma de manterem-se engajados. Pequenas atitudes, como chamar o cliente pela nominação que deseja e não a do documento, atentar-se em detalhes como o tamanho dos chinelos, fazem toda a diferença.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui